Aqui estou, outra vez, crua. Sob um céu esquálido e sufocante. A coragem escapa de mim feito um disparo e o caos ordena o universo.
Os olhos insones de um poeta, as profecias de um blues, o suspiro de quem desfrutou do desejo e a mágoa de quem descobriu toda a infâmia que há no amor. A glória do arrependimento e a angústia implacável que é viver.
Escrevo todos esses absurdos me despindo e, dentro da despedida de cada amante, no âmago de toda a sordidez que o mundo esconde e dentro de tudo que há de mais impoético, meu coração insiste cansado e respira pela última vez.

Aqui estou, outra vez, nua.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Observações aleatórias

Abaixo do céu, toda a confusão, todo o desespero faz cada vez menos sentido. Chove com severidade e nenhuma água é suficiente para aplacar a sede, nem todas as gotas de uma tempestade pesam tanto quanto uma lágrima. A vida, eu vejo, é feita de desencontros e contradições. E em meio a tudo isso, estamos sós em busca de uma direção. Somos todos perdidos e desorientados, cada qual na sua proporção. 

Acima do céu, todas as estrelas, todas as constelações são vestígios de um mapa. O universo esconde um segredo incapaz de ser revelado pelos cientistas, mas presumo que seja tão óbvio quanto as transições da lua e do sol. Há uma desordem natural que rege os astros que seguem soltos através do tempo e do espaço chocando-se vez ou outra em outros corpos. Em simetria com a vida aqui em baixo. 

Percebo, então, que no espaço, na vida e no amor, a única lei regente é o caos. 

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