Fomos muitas coisas durante tanto tempo e agora não somos mais nada. Vinte e quatro estações tiveram que passar para que eu pudesse entender que a primavera remedia os estragos do inverno de uma maneira incansável e determinada. Mas sem o inverno jamais haveria o renascer das flores.
Entre tantas idas e voltas, corremos em círculos fugindo das dores que sempre estiveram em nossos corpos e temíamos a cura de nossas mágoas. Estivemos sempre condicionados às possibilidades que nunca viraram verdades, sempre impedidos pelos medos que cultivávamos para nos proteger do risco que era viver. Somos instáveis como a chuva que teme cair e ainda assim buscávamos a certeza que o tempo tem. E nunca vislumbramos que o que queríamos não era a realidade que se expunha crua em nossos dias, nos protegemos tanto e com tanto afinco, porque a vitalidade do que sentíamos estava na possibilidade.
Você diversas vezes exitou amar de amplo coração e eu nunca pude aceitar que o amor existia. Acabamos como dois covardes, em comum acordo, porque não soubemos aceitar o que sentíamos. Não soubemos lidar com o que estava acima de nós.
E ao final você me pergunta porque insistimos em amar quando sabemos que vamos nos ferir. E eu te respondo que é pela mesma razão que as flores renascem:
Porque é preciso. Porque é bonito.
Fomos o eterno vir-a-ser.
Nunca me canso de comentar teus textos, Paula. Esse, inclusive, define os sentimentos da minha atual situação.
ResponderExcluirNão pare de escrever. Você faz bem o que faz.
Um beijo e grande abraço,
Paola.
Paola, se tu se identifica com esse texto não sei se isso é bom ou ruim, muito difícil tomar ciência desses sentimentos, numa situação dessa. Obrigada pela atenção, identificação e carinho de sempre.
ExcluirUm beijo, Paula