Aqui estou, outra vez, crua. Sob um céu esquálido e sufocante. A coragem escapa de mim feito um disparo e o caos ordena o universo.
Os olhos insones de um poeta, as profecias de um blues, o suspiro de quem desfrutou do desejo e a mágoa de quem descobriu toda a infâmia que há no amor. A glória do arrependimento e a angústia implacável que é viver.
Escrevo todos esses absurdos me despindo e, dentro da despedida de cada amante, no âmago de toda a sordidez que o mundo esconde e dentro de tudo que há de mais impoético, meu coração insiste cansado e respira pela última vez.

Aqui estou, outra vez, nua.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Nota:

O corpo humano não é simétrico de si mesmo. A simetria só é encontrada em outro corpo, na linha de outro peito e no encaixe de outras mãos. Somos ímpares e só deixamos essa condição quando encontramos outra pessoa.

É questão de matemática: 1+0 nunca acrescentou ninguém.

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