Aqui estou, outra vez, crua. Sob um céu esquálido e sufocante. A coragem escapa de mim feito um disparo e o caos ordena o universo.
Os olhos insones de um poeta, as profecias de um blues, o suspiro de quem desfrutou do desejo e a mágoa de quem descobriu toda a infâmia que há no amor. A glória do arrependimento e a angústia implacável que é viver.
Escrevo todos esses absurdos me despindo e, dentro da despedida de cada amante, no âmago de toda a sordidez que o mundo esconde e dentro de tudo que há de mais impoético, meu coração insiste cansado e respira pela última vez.

Aqui estou, outra vez, nua.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pra não dizer que não estava escrito

Sei da minha pressa e do meu descontrole. Falo apressada, falo alto, repetidamente. Falo desesperadamente. E rio. Rio alto e rio muito. Sei também que te devoro em mente, olhar e desejo. Te devoro e te desconcerto. Sei da minha intensidade e do quanto isso assusta. Sei da minha cena. Mas,olhe bem, é crucial que você entenda que essa parte é pequena diante tudo. E é por todas essas coisas que preciso de você. Porque tens olhos grandes e sabe olhar com cautela. Porque não tem pressa, porque tens mais calma e certeza do que eu jamais terei na vida. E por tudo isso, por todo o seu silêncio e toda a sua tranquilidade que te quero. Porque você me traz equilíbrio. Porque nosso silêncio tem significado. Porque nossos corpos tem sincronia. Porque acredito que você é o fim de uma longa procura.

Quando deitados, com as roupas no chão e as respirações ofegantes, somos verdadeiros como raramente podemos. Porque faz sentido estarmos ali. E nenhuma bebida traz essa sensação.

Eu e você podemos negar e fugir, mas há de ter um caminho que nos traga de volta. Somos extremos opostos cheios de pontos de encontro. Vamos acabar tantas outras vezes à revelia de tudo, ignorando a noite e o resto do mundo, cansados e conversando aleatoriamente. Vou acabar em você outras e outras vezes.

Vamos acabar fazendo par.

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