Aqui estou, outra vez, crua. Sob um céu esquálido e sufocante. A coragem escapa de mim feito um disparo e o caos ordena o universo.
Os olhos insones de um poeta, as profecias de um blues, o suspiro de quem desfrutou do desejo e a mágoa de quem descobriu toda a infâmia que há no amor. A glória do arrependimento e a angústia implacável que é viver.
Escrevo todos esses absurdos me despindo e, dentro da despedida de cada amante, no âmago de toda a sordidez que o mundo esconde e dentro de tudo que há de mais impoético, meu coração insiste cansado e respira pela última vez.

Aqui estou, outra vez, nua.

sábado, 31 de agosto de 2013

On the road

Eu pelo mundo, na auto-estrada, acima das nuvens. Londres, Dublin, Paris, Buenos Aires, Atenas. As luzes, as praças, a mesma conversa de porta-de-rua em idiomas distintos. Eu traçando minhas rotas e construindo meus trajetos. O sol que se põe diversas vezes em diferentes céus do mundo. E as estrelas que me guiam por onde quer que eu vá.

Andando por passos que são meus, percorrendo minhas rotas de fuga, dando sentido ao meu coração sempre distante. Pertencendo a cada lugar. Conhecendo várias vezes o mesmo céu pelas diversas janelas de hotéis. Tudo que sempre quis.

Eu mais madura e ainda petulante. A mesma vontade de ser plenamente livre e um coração que nunca aprendeu a bater certo. No peito, uma coragem duvidosa e uma certeza de que estou indo porque preciso. 

Há a saudade. Nada além de você. 

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